Como primeiro artigo do blog decidi contar um pouco da minha história. Estou criando esse blog para compartilhar experiências entre pilotos e contribuir com a evolução de todos.
Tenho muito a agradecer a todos os pilotos que um dia sentaram na frente do computador e compartilharam suas experiências, espero que meus textos ajudem a todos.
Criando Asas
Tudo começou em 2004 quando fui até
o litoral sul paulista acompanhar meu Pai em um dia de trabalho. Na ocasião
fomos dar manutenção no transmissor de uma rádio FM que ficava em Santos.
Acabamos os serviços por volta do 12h e pelo fato de estar um dia ensolarado decidimos
voltar para casa pela orla da praia e almoçar em algum quiosque para poder
ficar olhando o mar.
Por uma combinação de circunstâncias (sorte) chegamos em São Vicente e
escolhemos um quiosque que fica próximo ao teleférico que leva turistas até
o topo do morro Itararé. Pedimos um prato feito e uma coca gelada, logo nos
primeiros goles olhei para o céu e eis que a magia aconteceu!
Pela primeira vez vi alguém voando em um pedaço de pano e sem motor! Fiquei
observando com meu pai enquanto comíamos, eu estava com uma curiosidade sem igual.
Perguntei se ele queria subir o morro para ver mais de perto e ele concordou na
hora, terminamos de comer e subimos de teleférico. Fiquei com os olhos grudados
nos pontos coloridos que flutuavam no céu sem fazer nenhum barulho.
Chegamos na rampa de decolagem e o
dia estava perfeito, era um piloto saindo atrás do outro. Era só puxar, virar e
correr. Parecia ser simples e relativamente seguro. Logo bateu a vontade de
sentir aquela sensação de abandonar meu habitat natural e ver o mundo através
de um ângulo totalmente diferente em que eu sequer imaginei algum dia. Não
demorou muito para um piloto local perceber minha fascinação e vontade de voar.
O piloto e instrutor Reginaldo Amaral
(Baratta) chegou ao meu lado e fez uma pergunta irrecusável: “ Quer voar??? ”
Acho que em menos de 1ms eu respondi: Sim! Na época eu tinha apenas 17 anos e
precisei do aval do papito para voar em um duplo com o Baratta, meu pai concordou
e assinou as papeladas na sede do Club que fica ao lado da rampa. Com tudo
certo começamos a nos equipar enquanto o Baratta me passava os procedimentos de
decolagem e pouso que seria no gramado reservado para pousos na orla da praia.
Tudo certo e checado mais de 2 vezes, “ vamu vua ”!
Fiquei na cara da rampa, de frente para o mar só esperando ele inflar e dar o
comando para correr. “Espera... Espera... Espera... Pronto. Corre..... Corre!”
Em poucos segundos eu estava no ar, planando, sentido o vento bater no corpo e
curtindo aquele visual incrível da rampa de São Vicente. Começamos a conversar
e o Baratta foi me contando como ele havia entrado no mundo do vôo livre, me
contou que deixou muitas coisas de lado só para realizar o sonho de voar todo
dia e viver pelo esporte. Fiquei de boca aberta, encantado com a sua coragem.
Voamos por um bom tempo até que o Baratta fez outra pergunta irrecusável. “ Quer pilotar??? ”. Lógico que responde sim, fiquei com um
pouco de medo pois sabia que a minha vida e a dele estariam nas minhas mãos,
com a ajuda dele (ele não retirou a mão dos batoques) fui pilotando quase sem fazer curvas, deu para sentir a
pressão das linhas, foi nessa hora que entrou no sangue a vontade de voar.
Pousamos no local combinado e enquanto guardava os equipamentos comecei a
perguntar sobre os cursos na escola em que o Baratta era instrutor juntamente com o
piloto Márcio Aita (Soneca) com auxilio do Angelo (Cabloquinho). Com tudo
explicado fui para casa com um sorriso de orelha a orelha decidido a me tornar
um piloto.
Como meus pais não gostaram da
ideia de arriscar minha vida voando com um pedaço de pano por ai, decidiram dificultar minha entrada no esporte, simplesmente não liberaram nenhuma verba
para me ajudar. Como eu estava decidido, comecei a criar minhas próprias pernas
para chegar onde eu queria.
Na época eu estava fazendo o curso
de técnico em eletrônica e comecei a procurar estágios e no meio de 2005 entrei
como estagiário na TV Cultura focado em pagar o curso de vôo, comecei trabalhando no
laboratório de rádio e frequência da emissora e em paralelo fazia alguns bicos de sonoplasta na Rádio FM 98,9 nos fim de semana, era domingo a domingo (época difícil).
Criando Asas
Trabalhando na TV Cultura encontrei o técnico Claudio que nasceu em Santa Rita do Sapucai – MG local que nada mais nada menos tem uma das melhores
rampas de vôo XC (longa distância) do sul mineiro. Ele mantinha casa lá só por causa do vôo
livre. Eu não acreditei quando ele me falou que era piloto, nossas conversas
sobre vôo não tinham fim, íamos trabalhando e eu aprendendo sobre aerodinâmica,
tipos de nuvens, modelos de parapente, modelos de competição, vôo de distância
e um pouco de eletrônica aplicada quando eu não estava com a cabeça nas nuvens...
Ele inclusive me deu uma apostila para eu ir estudando até começar a fazer o
curso. Foi incrível!
Em 2006 consegui domar o tempo e fiz o curso, me formei piloto (http://www.dinamicadoar.com.br/equipe.php?cat=2&id=124) pela escola Dinâmica do AR . Depois de formado veio a outra parte da novela que
era a compra do equipamento ( nessa parte escutei aquele som de Error do
Windowns “Pammm” ) kkkkk.... Mas graças a Deus deu tudo certo.
Comecei a voar com frequência na
calmaria da praia e logo me joguei na turbulência do interior para buscar minha
primeira térmica que me levasse até a nuvem mais próxima, para poder entrar nela
e ver “qualé”. Quando consegui entubar em uma nuvem senti um êxtase indescritível, daria uma história à
parte que espero escrever em breve para ajudar os novos pilotos que buscam a
primeira entubada.
Com o tempo fui ficando mais
técnico e recentemente comecei a praticar vôo de distância (XC) que me rendeu
um salto na evolução. Fui voar em alguns lugares diferentes no Brasil em busca
de térmicas fortes, ventos fortes, teto alto...
Essa busca me trouxe bons resultados. Consegui voar muitas horas e fazer
muitos Km em uma das condições mais fortes do país.
Resumindo para não me empolgar mais
e escrever texto muito longo (rsrs). Criei minhas asas nesse plano e no outro
também, sempre buscando evoluir cada vez mais, não só no esporte, mas também
como pessoa.
Voar é um belo modo de colorir a vida.
GOD BLESS
by
Willians Reis Angenendt


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